segunda-feira, 20 de agosto de 2007

África: guerra, fome e AIDS

















Hoje no mundo, segundo a UNICEF, a cada sete segundos, uma criança com menos de dez anos morre de fome. Na maioria das vezes vitíma de um unico imperativo: o dos novos senhores do mundo, os que vivem eternamente, como gafanhotos, numa busca infinita e incessante de lucro. Estes novos mestres do mundo são os senhores do capital financeiro globalizado.

Mas por que isso acontece??

Quando olhamos para o mapa-múndi, notamos que o continente africano ocupa uma posição singular: atravessado pelo meridiano de Greenwich e pela linha do Equador, surge como o centro do mundo. Aparente berço da humanidade, a África, tal qual uma mãe, tem de purgar silenciosamente todos os desmandos do "Homo superior".
Fornecedora da mão-de-obra que enriqueceu a Europa, paradoxalmente foi esquartejada na Conferência de Berlim (1884-85): constituiu-se em 53 países separados por fronteiras artificiais, com incontáveis grupos etno-culturais que tiveram sua coexistência, nem sempre pacífica, e seus modos de vida destruídos em nome do progresso.
Não bastasse o quadro natural adverso (1/3 de áreas desérticas e em expansão e florestas impenetráveis), a África é vítima do seu passado: possui o pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e o maior IPH (Índice de Pobreza Humana) do mundo, ou seja, o menor PIB per capita, a menor taxa de urbanização, as maiores taxas de analfabetismo, de subnutrição, de natalidade, de mortalidade, de mortalidade infantil e de crescimento demográfico.
Além disso, convive com as doenças e a fome (na Somália, na Etiópia e no Sudão) e as guerras civis em Angola, Serra Leoa, Burundi, Ruanda e na República Democrática do Congo (ex-Zaire) e de fronteira (Chifre da África).
Sua economia, primário-exportadora, assegura o desenvolvimento, ainda que reduzido, de poucos países (Líbia, Egito, Marrocos, Tunísia, Zimbábue e África do Sul).
A maioria das nações vive da economia de subsistência, da plantation, quando não adoece ou passa fome.
Por ter mercado consumidor escasso, a África não pode participar do mundo globalizado, para o qual, não passa do lar de Tarzan e merece ser castigada, pois ousou sonhar com a liberdade após a "civilizada" 2ª Guerra Mundial. Seu lugar é apenas nos mapas.
Não bastasse isso, há duas décadas, a África da fome, das guerras e dos refugiados morre lentamente, vítima da AIDS.
O HIV matará cerca de 80% dos adultos.
A malthusiana omissão mundial é tão inquietante quanto a cínica "solidariedades". A sensação de que a humanidade é matricida é desoladora. Ainda mais quando os jogadores de futebol de Camarões nos dão um exemplo da infinita alegria que é o ato de viver.

África pede ajuda ao mundo contra guerra, fome e Aids

“Líderes africanos lamentaram hoje a pobreza, a AIDS e os conflitos na África - o continente mais pobre do mundo. Não podemos celebrar nossos avanços notáveis na ciência, tecnologia e em outras áreas humanas, enquanto milhões de seres humanos continuam a viver em um mundo de privação e até de fome.”
Na África, a maioria das pessoas vive com menos de US$ 1 por dia. Dos recursos dos governos do continente, 40 % são alocados para pagamento de dívidas externas.
De acordo com um relatório da ONU, as nações ricas precisam dobrar os investimentos - para US$ 20 bilhões - na próxima década para dar início ao crescimento econômico da África e brecar a dependência de ajuda estrangeira.
As indústrias farmacêuticas ocidentais poderiam reduzirem os preços das drogas que combatem a Aids, a fim de torná-las acessíveis aos africanos.
A Aids afeta 24,5 milhões de pessoas naquele continente, de um total de 34,3 milhões de portadores do HIV no mundo inteiro.
Segundo especialistas, a África precisa de US$ 3 bilhões por ano para combater a doença.

Os jornais dizem:

AIDS
LONDRES, 9/3/2005.
A AIDS é uma das piores armas de destruição em massa que assolam a humanidade. Calcula-se que, em duas décadas, entre 100 e 200 milhões de pessoas poderão morrer infectadas com o vírus HIV. A AIDS poderia acabar matando mais gente do que a última guerra mundial.
A AIDS é muito mais letal do que qualquer ditador ou terrorista. Os EUA vem investindo muito pouco na luta contra a doença, se comparado com o que foi gasto para bombardear o Iraque e o Afeganistão. Hoje, só um quinto da ajuda para as vítimas dessa praga tem como destino os países pobres (onde se concentra a grande maioria dos infectados).
A África, berço de nossa espécie, é o centro dessa peste. Se não for aliviada sua crescente miséria e o embargo no comércio mundial, a AIDS poderá transformar-se em seu “primeiro produto de exportação”. Lá, onde reside mais de 60% dos portadores do vírus HIV, só um de cada 50 pacientes recebe tratamento adequado.

FRELIMO se mantém no poder
LONDRES, 23/12/2004.
A Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) venceu as eleições com 63% retendo o poder como o fez desde 1975, quando da independência dessa ex-colônia portuguesa na África.
Forças travaram uma brutal guerra civil até o fim da guerra fria. Em 1992, depois do fim da bipolaridade.
O poder se mantém em mãos do oficialismo e a sua insurgência se deve à eterna oposição eleitoral. Fato verdadeiro é que o 70% dos eleitores se ausentaram. Dois de cada três moçambicanos vivem com dez dólares ao mês. A miséria e a AIDS avançam e a população tende a desconfiar das duas forças tradicionais.

Ouro negro e negros sem ouro
LONDRES, outubro/2004.
Para Bush e Kerry, o que ocorre no Sudão é um genocídio. Na última década, a África presenciou holocaustos como o de Ruanda, Burundi e Congo (5 milhões de mortos), a expansão da AIDS (que ameaça infectar 50 milhões de pessoas) e o retrocesso de sua efêmera participação na economia mundial.
Os dois candidatos norte-americanos concordam que não se deve mandar tropas do país para lá. Ao Iraque, onde existe o ouro negro, se enviou soldados duas vezes, mas os “negros sem ouro” não são prioridade, ainda que a catástrofe que vivem hoje incida em todo o globo.
A África não necessita de mais tropas brancas, mas precisa que o Hemisfério Norte mude as exigências do pagamento de suas dívidas, mude o protecionismo diante de seus produtos agrários e que se reduza os preços dos remédios contra a AIDS e outras doenças.
Com uma pequena parte do orçamento militar dos EUA sendo investida em obras de infra-estrutura como o tratamento da água, o saneamento básico e a proteção social, o continente negro poderia deixar de produzir a cada dia uma quantidade de vítimas civis equivalente ao atentado de 11 de Setembro.

Guerra contra a Fome
LONDRES, outubro/2004.
Com tanto avanço tecnológico, não se pode perdoar que a desnutrição persista e que cada ano mate 700 mil pessoas.
Da reunião citada acima não participou o presidente do país anfitrião, os EUA, mas sim 55 mandatários incluindo Lula, Chirac (França), Lagos (Chile), Zapatero (Espanha) e Annan (ONU). Para eles, a maior guerra a ser encarada não é contra o Iraque, mas contra o flagelo da fome, que deve ser erradicado.
A verba destinada para a batalha contra esta verdadeira “arma de destruição em massa” equivale a 10% do investimento bélico dos norte-americanos. Propostas para incrementar os fundos destinados ao combate à fome surgem sobre a forma de impostos sobre o comércio de armas, a cobrança de 0,01% sobre os bilhões de dólares produzidos em transações financeiras diárias e a redução do custo de envio de dinheiro de imigrantes do hemisfério Norte para o Sul (U$86 bilhões).

Cientistas encontraram: A ciência contra a fome
De um lado, pessoas morrendo por inanição. Do outro, o governo sendo acusado de aceitar milho geneticamente modificado (GM).
Esta conclusão acabou sendo aceita por uma rede de organizações internacionais. A Malawi Economic Justice Network (MEJN) levou 10 países africanos para uma conferência onde alimentos GM foram condenados, dizendo que as pessoas deveriam ser alertadas para os perigos do consumo destes alimentos.
O governo foi obrigado a moer os grãos para evitar que as pessoas plantassem as sementes, pois, segundo especulações, o milho GM tinha a capacidade de matar outras plantações.
Mas culturas GM não são tão más. Fazendeiros sul-africanos utilizam o milho e o algodão GM. Na verdade o termo correto seria geneticamente melhorados ou biotecnológicos – aplicação da biologia que utiliza qualquer sistema vivo para produzir algo vantajoso, utilizando as mais novas ferramentas e técnicas.
“A ciência é para o bem das pessoas”, disse o professor Diran Makinde da AfricaBio, uma associação de partes interessadas independente e sem fins lucrativos cujo papel é levantar informações precisas e criar consciência da biotecnologia na África do Sul e região. “Um cientista não pode dar às pessoas algo que lhes causará mal. Isso não é ciência”.
Em Soweto, em Joannesburgo, na África do Sul, mulheres cultivam milho Bt. Uma delas contou como o milho Bt a está ajudando, comercialmente. Ela pertence a um grupo que plantou milho BT em um canteiro e milho normal em outro. Ambos estavam maduros e secos. Mas havia uma diferença. As espigas do milho Bt eram grandes e saudáveis, sem ataque de insetos, mas as espigas normais estavam pequenas sofrendo ataques de gorgulhos e outros insetos.
Isto significa que mais milho tem sido tirado de uma plantação Bt que de uma normal, em canteiros idênticos. E as diferenças eram bastante notáveis.
Isso é possível porque o algodão Bt é uma combinação de genes que, entre outras coisas, faz crescerem folhas danosas aos insetos.
Bem como o milho. A biotecnologia está apta a produzir milho nutritivo e resistente à seca e a insetos.
A Biotecnologia de alimentos é uma forma de melhorar os alimentos, cultivares e animais através da transferência seletiva de novas qualidades em animais e plantas, como mais vitaminas e minerais e melhores valores nutricionais.
Métodos tradicionais de cultivo combinam milhares de características de duas plantas, enquanto, com a biotecnologia, somente a característica desejada é passada à planta.
Isto significa que os alimentos podem ser modificados para conter nutrientes adicionais ou outras características para que tenham um gosto melhor. Fazendeiros também têm benefícios, dispondo de novas maneiras de combater pragas e doenças e produzir alimentos num ambiente mais afável.
Os jornalistas se sentiram enganados quanto às afirmações de que alimentos GM eram prejudiciais, quando na verdade podem ajudar a combater a fome em seus países.
Nosso atual inimigo não é a guerra de Israel contra o Hezbollah no Líbano, mas a fome, as doenças e a inveja.
Cryrus Ndiritu, cidadão africano, entendeu corretamente o presidente Mbeki. “Não são as multinacionais que tentam sufocar a África. É a fome, a miséria e a pobreza. E se a África pretende se livrar desses males, ela tem que adotar a tecnologia GM”.
Mas não é tão fácil assim, no mundo há grandes empresas que interessam que a tecnologia GM não cresça, pois esta iria prejudicar a sua rentabilidade. Empresas essas como a Monsanto que fabricam herbicidas e inseticidas.
Ao invés de reclamar de tudo. Pense que no mundo tem gente que não pode nem comer, mas não porque não gosta da comida mas porque simplesmente não tem o que comer...
Reflita os seus atos...

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